sexta-feira, maio 01, 2009

Aquela coisa toda...

Por Leo Leite

Até agora a quinta foi o dia mais cheio do festival, como já é costume se iniciou com exibição dos curtas-metragens digitais. O primeiro deles foi o Hagakure, de Marcos Rocha, a estória é baseada na cultura oriental, muitas lutas, uma fotografia impecável e uma belíssima direção de arte, deixou muito a desejar no roteiro e na edição. Depois foi a vez da animação Cattum, de 10 minutos, engraçada, inteligente e simples, contando as peripécias de um gatinho muito atrapalhado. A platéia respondeu com muitas gargalhadas.
A mostra digital foi iniciada com Os sapatos de Aristeu, ficção em p&b que traz a triste preparação do funeral de um travesti, por sua mãe. Logo após, foi exibido Super Barroco, produção pernambucana, que deu o que falar pela grandiosidade estética, na fotografia, na edição e no roteiro. Por último, foi a vez do documentário Nós somos um poema, o filme relembrou a carreira de Pixiguinha e Vinicius de Moraes, poeticamente e musicalmente. Assim, a noite seguiu com uma homenagem ao diretor Roberto Farias e a exibição do longa de Vinicius Reis: Praça Saens Peña seguido pelo documentário poético de Luci Alcântara, Geração 65, aquela coisa toda.

quinta-feira, abril 30, 2009

A terça e a quarta

Por Leo Leite

A TERÇA-FEIRA

A terça-feira começou com a exibição do curta-metragem digital Nello’s, direção de André Ristum (SP) que contava a vida de um italiano. Na sequência, foi exibido a ficção carioca Teteco, projeto ousado feito com câmera de celular que chamou atenção pela criativa fotografia. Ainda dentro da mostra digital foi apresentado o curta pernambucano Eiffel, que faz uma critica sucinta a um recente monumento Recifense: as torres gêmeas. A direção foi de Luiz Joaquim. Para encerrar a mostra, foi a vez de 6.5 megapixels, uma ficção de um minuto entrar na telona, filme cearense, diferente, que mostra um filme que não foi feito por causa de um assalto.
Em seguida, começou a exibição dos curtas feitos em 35mm, com o curta Nossos Ursos camaradas, uma comédia de Fernando Spencer que levantou risos no público. Logo depois, Selos de 15 minutos, que deixou a platéia aparentemente cansada. O penúltimo filme foi A distração de Ivan, curta carioca de 15 minutos. Para encerrar, um dos curtas mais esperados da noite: Muro, de Tião. O filme chamou muito a atenção da platéia do teatro Guararapes pela sua magnitude estética, tanto na fotografia, efeitos e montagem.
Depois do intervalo, o cine teatro recebeu a atriz Dira Paes*, entregando-lhe o prêmio Calunga, após a exibição de um vídeo que mostrava sua trajetória cinematográfica. A artista, muito emocionada pela homenagem, dedicou o prêmio a seu filho que acabara de dar o primeiro passo sozinho. E pra finalizar a noite, foi dado “play” no longa Mistéryos de Pedro Merege e Beto Carminatti, com Carlos Vereza, Stephany Brito e Leonardo Miggiorin*.


A QUARTA-FEIRA

A quarta-feira, terceiro dia do evento, começou com a exibição do documentário Um artilheiro do meu coração. O filme conta a trajetória profissional de Ademir, um jogador do Sport Clube do Recife, desconhecido do grande público, que quase foi campeão em um importante jogo. O filme é todo feito com uma linguagem muito técnica, o que dificulta o entendimento das pessoas que não entendem do assunto. Após a exibição, alguém na platéia deu inicio ao coro: “casá, casá...”, a conhecida “musiquinha” da torcida organizada do time que foi abafado pela grande vaia dos presentes. Para encerrar a mostra em digital: o curta Quintas intenções, dirigido por Mauricio Rizzo.
Em 35mm, foram exibidos: Cocais, um documentário sobre a cidade, uma linguagem bem diferente que trazia poucas informações. Na sequência, foi apresentado A Mulher Biônica, forte em sua interpretação e depois Tereza, leve, poético e romântico.
Nada chamou mais atenção do que a pouca quantidade de gente na noite, que diminuiu ainda mais depois do intervalo. No fim aconteceu a exibição dos longas Um homem de moral (documentário) e a ficção pernambucana Pela vida, pelo tempo.
Outro ponto forte da noite, foi a instalação de um telão, pela Globo, para a exibição do jogo do Sport Clube do Recife versus o LDU. Enquanto alguns assistiam os dois longas, outros prestigiavam o jogo. Dentre essas pessoas estavam Alfredo Bertini (aniversariante do dia) com sua camisa do time e Sandra Bertini, que levantou e gritou: “Pelo Sport Nada...” seguido, mais uma vez, do “casá, casá...”, após o primeiro gol.
A cineasta pernambucana Luci Alcântara também estava presente do Hall do evento, filmando seu mais novo longa: JMB, o famigerado. O filme é um documentário sobra a vida do multi-artista Jommard Muniz de Britto, que também estava presente nas filmagens no centro de convenções. Luci adiantou ao blog do Cinema 11 que a produção vai contar com os “atentados poéticos” de Jommard e suas performances. A diretora também lembrou que está chegando o dia da exibição do seu longa Geração de 65, aquela coisa toda, no dia 30.


*Dira Paes e Leonardo Miggiorin consederam entrevista exclusiva para o Cinema 11, que será exibida em breve.

quarta-feira, abril 29, 2009

Hoje no Cine-PE

MOSTRAS COMPETITIVAS DE CURTAS E LONGAS-METRAGENS
Hora: 18h30Local: Cine Teatro Guararapes – Centro de ConvençõesAcesso: Ingresso (Inteiro: R$8,00 / Meia: R$4,00)

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS DIGITAIS
Um Artilheiro no meu Coração (Documentário, Direção: Diego Trajano, Lucas Fitipaldi e Mellyna Reis, 20’, PE)
Quintas Intenções (Ficção, Direção: Maurício Rizzo, 9’, RJ)

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS EM 35 MM
Cocais - A Cidade Reinventada (Documentário, Direção: Inês Cardoso, 15', SP)
A Mulher Biônica (Ficção, Direção: Armando Praça, 19’, CE)
Teresa (Ficção, Direção: Renata Terra e Paula Szutan, 18', SP)

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS
Um Homem de Moral (Documentário, Direção: Ricardo Dias, 84’, SP)

MOSTRA PERNAMBUCO – COMPETITIVA DE LONGAS
Pela Vida, Pelo Tempo (Ficção, Direção: Wilson Freire, 81')

terça-feira, abril 28, 2009

Abertura do Cine-PE

Por Leo Leite
O dia que muitos cinéfilos esperavam finalmente chegou. Foi a primeira noite de exibição do Cine-PE, Festival do audiovisual. Alguns atrasos marcaram a noite e o teatro não teve lotação completa. Excepcionalmente esse ano, não havia pessoas sentadas nas escadas. Como não é de costume, a noite já começou com a exibição de um curta, era a animação Ilha, estória criativa e bem iluminada em 3D. Logo em seguida, foi exibido o curta digital Manual para se defender de alienígenas, zumbis e ninjas, de André Moraes. Contando com a presença de astros do cinema como Lucio Mauro Filho e Rodrigo Santoro, o filme arrancou boas gargalhadas do público, contando uma estória de ficção cientifica trash. A trama é “amarrada” com muita criatividade e só deixa a desejar na qualidade do som em algumas, poucas, cenas. Encerrando a mostra digital, foi a vez do filme O troco. É a estória de um casal que decide dar a uma atendente de telemarketing um pouco do seu próprio remédio. A exibição foi recheada de muitos aplausos em determinadas atitudes dos personagens e calorosas risadas na maior parte do tempo.

Em seguida, deu-se inicio a exibição dos curtas em 35mm. O primeiro foi o já conhecido Menino aranha, documentário, de fotografia invejável, que conta a vida de um menino de rua que escalava prédios para roubar. Assim que acabou, foi apresentado o filme Ana Beatriz, uma proposta inovadora que conta, em um tipo de stop motion, duas estórias paralelas: uma narrada em áudio e outra em imagens, que se confunde dando origem ao ponto chave da trama. Para finalizar a mostra de 35mm, um filme com o consagrado Wagner Moura: Blackout, ficção de 10 minutos sobre dois homens de negócios que ficam presos numa sala com uma bomba. O curta também levou o teatro Guararapes a rir em uníssono.

Por algum motivo, a abertura do festival só ocorreu mesmo depois das mostras dos curtas. Foi exibido um vídeo institucional sobre a orquestra cidadã dos meninos do coque. Em seguida, a apresentação musical que deixou muita gente encantada com o talento dos meninos. Um dos acontecimentos mais marcantes foi a descida do palco de um garotos que passeou pela platéia tocando seu violino.

Na sequência, quem adentrou o palco foi o convidado mais esperado do ano, Constantin Costa Gavras, importante cineasta grego naturalizado francês. Antes da chegada ilustre, foi exibido um vídeotape com trechos dos filmes do diretor e algumas sonoras de figuras importantes do cinema deixando suas homenagens. Assim, Costa Gavras adentrou o palco sendo recebido de pé pelos presentes ao som de muitos aplausos. Depois de seu brilhante discurso, foi dado inicio à exibição do seu novo longa Eden À L’Ouest, que deixou todo mundo fascinado pela beleza da narrativa, contando a estória de Elias, um imigrante ilegal que chega à Europa. O que mais precisaria para encerrar essa noite de homenagens da melhor forma possível? Nada!

segunda-feira, abril 27, 2009

Mostra Pernambuco (segundo dia)

Por Leo Leite

Segundo dia da mostra Pernambuco e mais uma vez o Cinema da Fundação ficou lotado, algo já era esperado pelos realizadores. Como o diretor do Cine-PE Alfredo Bertini já havia prometido: uma segunda sessão foi aberta para quem ficou de fora. E algumas novidades foram reveladas, como o prêmio para o dois melhores curta-metragens: o primeiro lugar leva cinco mil reais e o segundo dois mil, patrocínio da Assembléia Legislativa. O filme Z, de Costa Gavras, que seria exibido na Fundação será exibido no teatro Guararapes no dia 1 de maio às 16h e a entrada é franca.
Depois de todas as noticias e apresentação dos realizadores dos curtas, enfim a exibição da noite deu-se inicio, isso por volta das 19h40. Pra começar foi re-exibido o filme Prenuncio, de Adriano Portella, que como dito anteriormente, foi injustiçado por terem exibido uma cópia não finalizada. O curta agradou alguns e não convenceu outros, por ter uma proposta ousada. O suspense narra a estória de um pescador atormentado por um espírito.
Logo em seguida foi a vez do documentário Memória Irreversível, que tenta contar a história do cinema pernambucano. Para isso a equipe conseguiu entrevistas com grandes nomes da área, é o caso de Osman Godoy, Isabela Cribari e Lula Cardoso Aires Filho. Mas isso não foi suficiente para a produção agradar aos presentes, além do amadorismo técnico e fotográfico, tanto na luz quanto no enquadramento, o curta era explicitamente sem uniformidade.
Na sequência foi a vez da ficção Amigos é pra essas coisas de Rafael Dantas, que muito agradou à platéia, a qual se manisfetou dando boas e sonoras gargalhadas. É um Sitcom que conta e estória de um jovem em busca uma mulher para um relacionamento sério e se mete em algumas confusões. O texto divertido, mesmo com alguns palavrões em excesso, prendeu a atenção do público.
A apresentação seguinte foi a do documentário Malunginho, o guerreiro de Catucá, o rei da jurema que contou a importância do personagem quilombola para a cultura negra e como a história do Brasil analisa sua influência. O curta chama atenção pelo bom uso das cores no desenrolar fotográfico e dos insert’s bem fundamentados.
Ainda na mesma linha foi exibido o curta Eu sou Lia, que contou a vida de uma das mais importates cirandeiras pernambucanas: Lia de Itamaracá. Mostrando toda a garra e força da artista o documentário mexeu com as emoções de quem estava assistindo gerando os aplausos mais calorosos da noite.
Posteriormente foi apresentado o curta Da fotodocecópia à água que move a vespa que mostrou a cultura de Triunfo a partir das garrafas de licor e as estórias dos seus habitantes. Durante toda a mostra o filme arrancou risos do público com uma edição marcada por boas falas dos personagens, misturado com uma fotografia colorida e pitoresca. Logo depois foi a vez do curta-metragem de Alice Gouveia, Cinco minutos, ser apresentado. O capricho fotográfico contava a vida de algumas pessoas idosas e de uma enfermeira solitária. Com o uso de poucas falas e uma câmera que viajava de acordo com pensamentos e lembranças dos personagens, o filme foi a surpresa da noite. O destaque ficou para a belíssima interpretação de Auricéa Fraga, que fez mais uma velhinha para a sua coleção*, e Jones Melo, que juntos deram um show de interpretação.
Continuando a mostra foi a vez da exibição de Travessia – um rio e algumas histórias, narrando o cotidiano de gente simples que viviam do transporte de pessoas de barco perto da ponte da Torre, para isso uma linguagem simples sem muitas experimentações. E para encerrar o evento com chave de ouro, foi a vez do hilariante Hotel do coração partido deixar marcada sua presença. Uma animação simples, estilo passagem de slides, que narrava a saga de Ronaldo e seu grande coração.
No fim das contas a Mostra teve um bom resultado, apesar dos constantes erros de projeção e alguns atrasos. Agora é só esperar o resultado e torcer para que, realmente, vença o melhor.


*Auricéa Fraga já deu vida a algumas velhinhas no cinema pernambucano, é o caso da velha branca, curta de Adelina Pontual; Lar doce, lá de Felipe Braga de Melo e a vovozinha da chapeuzinho vermelho no teatro.